Do Roteiro ao Público: Pensando Projetos Audiovisuais Além da Criação
Mais do que uma palestra sobre marketing, este é um convite para que realizadores aprendam a enxergar seus projetos com mais clareza, sem romantizar nem demonizar a relação entre arte e produto.
Uma conversa franca, provocativa e prática sobre o caminho entre uma boa ideia e um projeto audiovisual capaz de existir no mundo real. A partir de sua experiência em marketing e distribuição cinematográfica, Michelle convida os alunos a olharem para seus roteiros não apenas como obras criativas, mas como projetos que, em algum momento, precisarão convencer alguém: um produtor, um investidor, um fundo, um elenco, uma distribuidora, um exibidor, uma plataforma e, finalmente, o público.
A proposta não é ensinar ninguém a escrever “para o mercado”, nem defender que todo projeto precisa ser comercial, óbvio ou formatado para caber em uma tendência. Pelo contrário: a palestra parte da ideia de que autoria e consciência de mercado não são inimigas. Entender o mercado não significa abandonar o ponto de vista artístico, mas compreender melhor em que realidade aquele projeto vai precisar circular, quais escolhas criativas produzem consequências práticas e que tipo de valor a obra consegue comunicar.
Ao longo da palestra, os participantes serão provocados a pensar em perguntas que devem ser feitas muito antes da estreia: o que torna esse projeto singular? Para quem ele realmente existe? Qual é a experiência que ele promete ao público? Qual é seu diferencial? O que pode dificultar sua produção, financiamento, distribuição ou comunicação? O que pode reduzir o risco para quem precisa apostar nele? E, talvez, a pergunta mais importante: por que o espectador escolheria assistir a esse projeto, e não a outro?
Combinando realidade de mercado, bastidores do audiovisual e pensamento estratégico, Michelle aborda o que faz um projeto ser mais financiável, distribuível, comunicável e vendável, entendendo “vendável” não como sinônimo de comercial, mas como a capacidade de encontrar seu público, gerar identificação e comunicar valor para a pessoa certa, no momento e lugar certos.
Um bom filme não existe sozinho: ele precisa ser compreendido, defendido, posicionado e desejado. E quanto antes o realizador souber responder por que aquela obra merece existir, maiores são as chances de ela encontrar quem possa ajudá-la a sair do papel.